A Política de Hobbes: O Estado como Solução
Para Hobbes, o valor fundamental para cada pessoa é a conservação da própria vida. Cada indivíduo naturalmente considera bom o que lhe agrada e mau o que lhe ameaça. Isso levanta uma questão crucial: se o bem e o mal são relativos, determinados individualmente, como seria possível a convivência social?
Contrariando Aristóteles (que defendia a sociabilidade natural humana), Hobbes concluiu que os seres humanos não possuem um instinto natural de sociabilidade. Para ele, cada pessoa enxerga as outras como concorrentes que precisam ser dominados, gerando uma competição permanente e intensa.
O resultado dessa disputa contínua, no "estado de natureza" (antes da sociedade civil), seria uma guerra de todos contra todos. Na famosa expressão de Hobbes, "o homem é o lobo do homem" (Homo homini lupus), ilustrando a brutalidade da vida social primitiva.
A única solução para esse caos seria a criação artificial da sociedade política, administrada pelo Estado. Através de um contrato social, cada indivíduo transferiria seu poder de autogoverno para o Estado, que imporia ordem e segurança. Hobbes apresentou essas ideias em duas importantes obras: "Do Cidadão" e "Leviatã".
💡 Embora pareça pessimista, a teoria de Hobbes é fundamental para entender muitos conflitos sociais até hoje. Sua visão do Estado como moderador das disputas humanas influenciou profundamente o pensamento político ocidental.